09/01/2016

Carta para ele


Rio de janeiro 31 de dezembro de 2015

Olá meu...

Se você soubesse o modo que eu te via... 
Você não tem a menor noção do quanto eu o admirava naquela época... Todas as meninas que andavam no bairro a noite e o viam jogar nas quintas-feiras eram apaixonadas por você, todas de verdade, você sabia disso?... Ah, você se lembra daquela vez em que estávamos todos jogando futebol no club... você jogava com os mais velhos na quadra de grama sintética, jogava muito bem, não havia ninguém que conseguia tirar a bola de você, e de fato não sei como você veio parar na nossa quadra, que era de pedra e começar a jogar com a gente...eramos poucos, uns cinco ou quatro pirralhos brincando de jogar bola quando você surgiu... E do nada eramos nós contra você no jogo, só você... ninguém conseguia arrancar a bola do seu domínio, e eu uma criança tímida mas que adorava correr, fui com tudo tentar, e acabou num esbarrão, eu de frente para você e você de frente para mim,  eu lembro até hoje, você estava sem camisa e muito suado, isso eu não lembro direito mas acho que você pediu desculpa, eu não sei, acho que eu nem respondi de tanta vergonha, também acho que essa foi a primeira e única vez que nos falamos. Você lembra? 

É claro que não. Eu sei que não. Você nem sabe que eu existo.

Sabe eu acho que eu te amei, porque o seu nome foi o único que eu escrevi numa folha, mesmo subliminarmente... Engraçado...há uns 4 ou 5 meses, eu andava pelo centro da cidade, pois havia feito o cabelo (que exalava um cheiro fortíssimo de produto) e fui para o ponto de ônibus. Já estava escuro, e nenhum ônibus queria parar para mim, foram uns 2 ou 3 que passaram direto, não me lembro exatamente. Depois de um bom tempo um finalmente parou.
Preste bem atenção agora meu querido.
Chegando no meio do caminho, próximo ao shopping da praia, começaram a entrar muitas pessoas, como se não passasse outro ônibus daquele há muito tempo. Eu estava sentada bem no último banco do lado esquerdo, e enquanto o ônibus enchia, sentaram-se do outro lado dois rapazes, aparentemente dois mauricinhos ridículos sem educação, um deles fazia graça o tempo todo enquanto o outro ria e falava para o outro parar. Em quanto isso uma senhora olhava para trás parecendo estar incomodada com a situação, mas o rapaz não parecia se importar. Confesso eu que algumas vezes ri em silêncio com as bobagens ridículas que ele falava e do outro que só ria. Eu, sempre muito tímida, naqueles momentos torcia para que esses ridículos descessem antes do meu ponto e ao mesmo tempo me perguntava quem eram eles. Estava com medo de ser zuada por esse rapazes abusados ou passar por algum tipo constrangimento. 
O ônibus foi indo e nada deles descerem. Até que chegou o meu ponto. E era o ponto deles também. Meu Deus. Que susto! O rapaz que tanto me zuou um dia era o que tanto falava, e o outro. O outro era você. Foi uma sensação tão estranha, não tinha reconhecido vocês antes... fiquei muito mais tímida e assustada, mas depois achei graça vê-lo depois de tanto tempo.
Houve outra situação que eu te vi, só lembro de você estar acompanhado de mais dois rapazes... o vi de costas, a rua estava deserta e eu tentei andar mais rápido para não perde-lo de vista. 

Como eu sou boba não é mesmo? Mas você, apesar de ter fama de pegador e tal, e também por nunca termos tido nenhum vínculo, você me parece um cara legal, por isso escrevi para você. Hoje não tenho mais aquele sentimento inocente por você... eu acho... mas valeu de inspiração...


Lily Rey

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